quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Uso eficiente da biomassa para energia


A Biomassa é, em Portugal, a principal fonte nacional de energia, suplantando mesmo a hidroelectricidade no abastecimento energético do País. Assim, para o contributo de 14,2% do abastecimento de energia primária em Portugal no ano de 2004, a biomassa contribuiu com cerca de 75%, contra 25% da hidroelectricidade e da energia eólica.

( Quarta-feira, 15 de Agosto de 2007 )



A fatia da contribuição da biomassa para o balanço energético nacional, que é hoje de 10,6%, correspondendo a 2,8 Mtep de energia primária, pode ainda ser aumentada, especialmente pelo seu mais eficiente uso. Na realidade, 20 % da biomassa contabilizada é utilizada no sector doméstico. Atendendo a que o imposto de IVA sobre a biomassa tem a taxa máxima de 21%, contra 5% na electricidade e no gás, só uma parte pequena das lenhas utilizadas no sector doméstico são contabilizadas, levando a que a importância real da biomassa seja na realidade muito superior. Por outro lado, a biomassa é maioritariamente utilizada em lareiras abertas, levando a que a eficiência no seu uso seja muito baixa.

A utilização de biomassa para a produção de electricidade correspondeu a 1,1 Mtep tendo-se gerado 1 082 GWh com uma potência instalada de 363 MW, a maioria em unidades industriais ligadas à indústria da celulose *, madeira e cortiça utilizando processos de co-geração (DGGE, 2004).

A valorização da biomassa florestal para energia, é uma forma de controlar as emissões de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera, uma vez que a quantidade de CO2 emitida na combustão da biomassa é igual à captada pela planta aquando do seu crescimento. Assim, na medida em que a biomassa consumida substitui combustíveis fósseis, e a biomassa recolhida minimiza a eclosão e propagação dos incêndios florestais, a utilização de biomassa de uma forma sustentável contribui decisivamente para a redução do efeito de estufa e para o cumprimento do Protocolo de Quioto a que Portugal se obrigou.

Este benefício é ainda mais relevante se a biomassa for eficientemente utilizada tornando mais eficaz a substituição de combustíveis fósseis. Assim, deve-se dar prioridade aos métodos e às tecnologias mais eficientes no uso da energia, tendo em conta a definição adoptada pela Directiva Europeia 2001/77/CE, de 27 de Setembro: “a fracção biodegradável de produtos e resíduos da agricultura (incluindo substâncias vegetais e animais), da floresta e das indústrias conexas, bem como a fracção biodegradável dos resíduos industriais e urbanos”.

Neste sentido, a utilização da biomassa para energia deverá obedecer aos seguintes critérios mínimos:

1. Nos equipamentos e edifícios de serviços e residenciais, com destaque para piscinas, escolas, pavilhões gimno-desportivos, hospitais, hotéis, etc., a biomassa (entre outras na forma de briquetes e peletes) deverá ser utilizada com equipamentos de queima com eficiências superiores a 75% para produção de energia térmica;

2. Na indústria deverá ser privilegiada, sempre que possível, a utilização da biomassa para co-geração baseada na utilização útil da energia térmica, permitindo eficiências globais superiores a 60%. Será de excluir centrais dedicadas exclusivamente para a produção de electricidade, pois não permitem rendimentos efectivos superiores a 25%.

Alvor de Sintra

terça-feira, 7 de agosto de 2007

EDP perde corrida para a E.ON na compra dos activos da Dong Energy

EDP perde corrida para a E.ON na compra dos activos da Dong EnergySe ontem a Comissão Europeia abriu caminho para que a E.ON conseguisse ficar com o controlo da Viesgo e de vários activos da Endesa, hoje a gigante energética alemã anunciou a compra da holandesa Dong Energy e dos seus activos na Península Ibérica, por um montante de 722 milhões de euros, incluindo a dívida. O grupo alemão estava na corrida por estes activos contra o consórcio integrado pela EDP e pela Eufer.Tiago Figueiredo SilvaSegundo noticia a versão electrónica do jornal 'Expansión', os objectivos de crescimento da E.ON no mercado espanhol, uma das suas prioridades, estão a tomar forma nesta semana. Uma vez alcançado o acordo com a Enel e a Acciona para a retirada da OPA sobre a Endesa, a E.ON deixou clara a sua intenção de se colocar "entre as primeiras três companhias do mercado energético espanhol".O grupo alemão estava na luta pelos activos da Dong contra o consórcio integrado pela EDP e Eufer (Enel e Unión Fenosa), contra a também alemã RWE, e contra a norte-americana General Electric e o fundo australiano Babcock Brown.O último passo dado neste caminho foi a compra dos activos que detinha a holandesa Dong Energy na Península Ibérica. A gigante energética alemã investiu 772 milhões de euros para tomar o controlo de um dos activos que conta com uma capacidade instalada aproximada de 260MW.Com esta compra, a E.ON ficará com a empresa Energi E2 Renovables Ibéricas, que conta no mercado ibérico com distintas instalações de geração eólica, hidríca e de biomassa, tanto em Espanha como em Portugal.A empresa alemã destaca em comunicado hoje emitido que "com a aquisição dos parques eólicos, a E.ON aumenta a sua capacidade de energia eólica instalada de perto de 700MW".Com este investimento, a Energi E2 Renovables Ibéricas "vai dar à E.ON uma capacidade total de geração de mais de 7GW em Espanha para 2010, somada aos activos da Viesgo e da Endesa que acordou adquirir à Enel e Acciona", segundo a gigante alemã.O presidente da E.ON, Wulf Bernotat, sublinha sobre esta última operação que a "Energi E2 Renovables Ibérica é um complemento ideal para as nossas actividades futuras em Espanha". Diário Económico

sábado, 28 de julho de 2007

Coimbra: Accionistas da iParque

Coimbra: Accionistas da iParque viabilizaram recuperação do controlo do projecto pela autarquia
Câmara volta a mandar no projectoA assembleia-geral da Coimbra Inovação Parque (iParque) aprovou ontem, por unanimidade, a nulidade da entrada de quatros novos accionistas, viabilizando à autarquia a recuperação da posição accionista maioritária perdida há um ano. Segundo decisão do plenário de accionistas, o capital da iParque, que em 2006 foi aumentado para 939 mil euros (uma exigência legal para permitir que o projecto beneficie dos apoios comunitárias), será aberto aos fundadores, a quem é dado o direito de preferência.”O reforço do capital deverá agora decorrer no respeito pelos requisitos da lei, dos estatutos e do acordo parassocial da iParque”, disse à agência Lusa uma fonte da administração da empresa. A mesma fonte revelou que, numa fase inicial dos trabalhos, o presidente cessante do conselho de administração (CA) da iParque, Pina Prata, foi demitido por maioria, apenas com uma abstenção de um dos accionistas, a cuja gestão pertence o próprio Horácio Pina Prata, antigo vice-presidente da Câmara de Coimbra. Este vereador do PSD, a quem o presidente da Câmara, o também social-democrata Carlos Encarnação, retirou há um ano a confiança política, na sequência de um conflito relacionado com as eleições locais do partido, anunciou em Junho que não pretendia manter-se nos órgãos sociais da iParque. Na mesma sessão do executivo municipal, Pina Prata, autarca e empresário que há um ano passou, na prática, a controlar a empresa de interesse público, dado estar ligado a dois dos quatro novos accionistas (agora recusados pela assembleia-geral), desafiou Encarnação a assumir pessoalmente a liderança do projecto tecnológico. Após ter sido demitido pelos accionistas, Pina Prata abandonou os trabalhos, adiantou a mesma fonte.Tal como se previa, o professor universitário Norberto Pires foi eleito para a presidência do CA da sociedade anónima, enquanto Carlos Encarnação vai manter-se à frente da assembleia-geral. Presidente da Sociedade Portuguesa de Robótica, de 40 anos, Norberto Pires foi convidado para aquelas funções por Encarnação. No novo conselho de administração, continuam João Vasco Ribeiro, como vice-presidente, e Gil Patrão, antigo director do Centro da Biomassa para a Energia (CBE). A assumpção de funções por parte de Gil Patrão, quadro superior da EDP, está condicionada a autorização deste grupo empresarial. Caldeira Santos, em representação da Associação Industrial Portuguesa (AIP), e Paulo Mendes, recém-eleito presidente da Associação Comercial e Industrial de Coimbra (ACIC), são os outros membros do CA.----------------------------Aprovada Auditoria às contasOs accionistas aprovaram ainda a realização de uma auditoria às contas da Coimbra Inovação Parque. Presidente da Sociedade Portuguesa de Robótica, de 40 anos, Norberto Pires foi convidado para estas funções por Carlos Encarnação, também presidente da assembleia-geral da iParque.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Tecneira e Forestech ganham duas centrais de biomassa

Tecneira e Forestech ganham duas centrais de biomassa

2007-07-17

O consórcio formado pela Tecneira e pela Forestech encontra-se classificado em primeiro lugar no concurso para a central a biomassa florestal, no distrito de Santarém, com seis MVA. O agrupamento conseguiu uma pontuação de 96,1 pontos, mais 11 do que o segundo classificado, a EDP – Produção Bioeléctrica.

O anúncio foi feito, ontem, pela Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG). As empresas levaram também a melhor sobre o agrupamento que integra a Lena Ambiente e o consórcio Miese, constituído pelas empresas Alberto Martins Mesquita & Filhos, Isolux Ingenieria, e EGF. Este conjunto de empresas já tinha sido derrotado no lote 3, correspondente à entral termoeléctrica a biomassa florestal de Vila Real, com 11 MW. Este concurso foi ganho pela Probiomass, constituída pela Proef, Eurico Ferreira, EHATB – Empreendimentos Hidroeléctricos do Alto Tâmega e Barroso e Espírito Santo Capital.

Além da central de Santarém, a Tecneira – Tecnologias Energéticas e a Forestech – Tecnologias Florestais venceram também o concurso relativo à unidade nos distritos de Beja e Faro, até três MVA. As empresas conseguiram mais 25 pontos do que o segundo classificado, a sociedade Arbor – Sociedade Transformadora de Madeira. O agrupamento constituído pela Lena Ambiente, Eneólica, Cavalum e New capital, bem como a sociedade Alvasado Energia eram os restantes concorrentes.

No mês passado, a DGEG já tinha confirmado foi proposta a adjudicação do concurso para centrais a biomassa florestal nos distritos de Viana do Castelo e Braga (lote 4), até 5 MVA, ao agrupamento constituído pelas empresas Obrecol – Obras e Construções, Logística Florestal, Forestland e Hidroeléctrica San Miguel.

Este foi de resto o único concorrente que se apresentou ao concurso, cuja avaliação das propostas ficou concluída em Abril. A central a construir ficará localizada no lugar de Guimil, na freguesia de Longos Vales.

O AmbienteOnline apurou junto de fonte do sector que, ainda este mês, deverão ser adjudicadas mais duas centrais.

Autor / Fonte
Tânia Nascimento

Manuel Pinho defende harmonização das tarifas de biomassa

Manuel Pinho defende harmonização das tarifas de biomassa

2007-07-19

O ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, defendeu ontem a necessidade de proceder a uma harmonização europeia das tarifas pagas à biomassa sob pena de se criarem fluxos comerciais que não têm racionalidade económica.

No mesmo sentido, José Honório, administrador da Portucel, salientou que «não faz sentido transportar matéria-prima de um país que a produziu para outro», o que leva a um aumento das emissões de dióxido de carbono, por via do transporte. As declarações foram proferidas um encontro com responsáveis pelas principais indústrias europeias da fileira florestal. A iniciativa, promovida no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia, precede a realização do próximo Conselho Informal de Ministros para a Competitividade, a ter lugar em Lisboa, amanhã e depois.

As indústrias representadas pela Confederação Europeia da Indústria Papeleira gerem ou detêm enormes quantidades de biomassa florestal, a qual é utilizada pelas empresas não só como matéria-prima, mas também como fonte de cerca de 50 por cento das suas necessidades energéticas. Para estas indústrias, não pode ser esquecida a posição de referência que ocupam na cadeia de fornecimento de madeira e na capacidade instalada para a geração de energia a partir de biomassa.

Por toda a Europa, cerca de dez milhões de hectares poderão ser afectados para a produção de biomassa de segunda geração, estima José Honório. Para o responsável, a Política Agrícola Comum (PAC) deve direccionar os seus apoios para os agricultores cujas plantações estão disponíveis para a produção de biomassa.

«Em vez de se canalizarem recursos para essas pessoas deixarem as terras sem produzir, as verbas podem ser aplicadas para produzir algo que a sociedade precisa», afirmou à margem da conferência ao AmbienteOnline. Depois da Portucel ter assumido o interesse por Angola para desenvolver a sua actividade, José Honório admitiu ainda que a empresa está a estudar oportunidades ao nível de outros países.

Autor / Fonte
Tânia Nascimento

Brasil vai produzir electricidade a partir de capim

Brasil vai produzir electricidade a partir de capim


O Brasil vai ter, a partir do próximo ano, a primeira termo-eléctrica mundial alimentada a capim, no Estado da Baía.

O contrato para o investimento de 80 milhões de reais (cerca de 31,25 milhões de euros) foi selado na quarta-feira ao final do dia em Piracicaba, Estado de São Paulo, durante a maior feira do sector do etanol brasileiro, o Simtec.

A tecnologia para a Usina (central) de São Desidério, na Baía, será fornecida pela Dedini, uma das principais empresas de equipamentos industriais para o sector do álcool, que tem como cliente a Sykué Bioenergia.

Ana Maria Diniz, da empresa cliente, afirma que o objectivo do grupo baiano é «replicar em 10 vezes a capacidade desta primeira usina, que é de 30 megawatts, chegando a 300», através da instalação de novas unidades.

A matéria-prima, capim elefante, «foi escolhida devido a sua alta capacidade de receber energia solar e transformar em matéria celulósica, através de um ciclo de produção completamente limpo, renovável e economicamente viável», afirma.

O projecto permite ainda a obtenção de crédito de carbono no montante de um milhão de toneladas ano, que poderão ser vendidos no mercado internacional, gerando lucros adicionais aos da venda de electricidade no mercado livre.

A unidade deverá estar operacional em Dezembro de 2008, segundo os promotores.

Para o designer do projecto, Paulo Puterman, a biomassa «pode ser um caminho eficaz para a crise anunciada que o Brasil vive na produção e distribuição».

A principal fonte da geração de biomassa no Brasil são hoje os resíduos da produção de cana-de-açúcar.

Actualmente, a capacidade de geração através desta matéria-prima está nos 45 quilowatts por tonelada mas poderá triplicar nos próximos anos, graças ao melhor aproveitamento dos resíduos, incluindo o processamento da própria palha e das folhas da cana, para produção álcool celulósico.

Diário Digital / Lusa

19-07-2007 0:41:00

Estudantes europeus analisam energias renováveis na universidade

Estudantes europeus analisam energias renováveis na universidade

“Novas energias com velhos elementos para um mundo novo”: as energias renováveis estão no centro do curso de Verão que 22 estudantes de toda a Europa iniciaram ontem.

Matéria obrigatória em qualquer agenda que se pretenda actual e reveladora das grandes preocupações com o ambiente - da investigação à decisão política -, as energias renováveis são o tema escolhido para o curso de Verão que o Grupo BEST UC está a promover na Universidade de Coimbra. Até ao próximo dia 3 de Agosto, 22 jovens estudantes vindos de 17 países europeus, a que se juntaram outros 27 alunos da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra, estão na cidade para participarem no curso “Renewables: new energies, old elements, new world”.
Apresentado ontem com a presença dos participantes, dos organizadores, dos patrocinadores e de dois vice-reitores da Universidade de Coimbra - António Gomes Martins, o responsável pela investigação científica, e Pedro Saraiva, o coordenador de áreas como a qualidade e inovação e a transferências do saber -, o curso de Verão integra um programa científico onde serão analisadas matérias como a energia solar, a biomassa, o biogás, a energia eólica, a hidroelectricidade, o hidrogénio ou as células de combustíveis, leccionadas por um corpo docente de que fazem parte nomes como os de Aníbal Traça de Almeida, Domingos Xavier Viegas ou o próprio António Gomes Martins.
Em complemento à componente lectiva, os participantes no curso irão visitar a empresa Martifer, o Laboratório de Aerodinâmica Industrial da Universidade de Coimbra, a Central de Biomassa de Mortágua e a Central Hidroeléctrica da Aguieira.
Mas os jovens estudantes vindos de países como a Holanda, França, Grécia, Croácia, Roménia, Polónia, Eslovénia, Alemanha, Turquia, Espanha, Sérvia, Letónia, Noruega, Itália, Eslováquia, Hungria e Bulgária irão complementar o programa científico com um outro destinado a conhecerem mais aprofundadamente Coimbra, a sua universidade, algumas das suas tradições e da sua actividade cultural. Para tal e de acordo com informações da organização, estão ainda previstas visitas ao Paço das Escolas, ao Museu da Ciência e ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, um workshop sobre tradições académicas de Coimbra, uma actuação do Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra e uma descida do Rio Mondego.

“Energy for
Sustainability”
Organizado pelo BEST UC, o curso conta com o apoio das empresas Martifer, Galp Energia, Grupo Catarino e BPI, bem como do programa “Energy for Sustainability”, uma parceria da Universidade de Coimbra a integrar o MIT Portugal, desenvolvido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, com o Massachusetts Institute of Technology (MIT), como ontem salientou e explicou com algum pormenor o vice-reitor António Gomes Martins.
Quanto ao BEST – Board of European Students of Technology - trata-se de uma organização europeia, criada em 1989, cujo principal objectivo é promover a Europa entre estudantes de tecnologia. Presente em 28 países europeus e em 70 universidades ligadas às tecnologias, o projecto reúne aproximadamente 500 mil estudantes de toda a Europa.
Sedeado na Universidade de Coimbra, de acordo com fonte do Gabinete de Comunicação, o BEST UC destacou-se desde a sua formação como um dos grupos mais activos a nível nacional e internacional, organizando eventos de qualidade reconhecida. Actualmente com cerca de 30 membros activos, estudantes das mais diversas áreas tecnológicas, desde a licenciatura ao mestrado, conta também com o apoio de muitos ex-alunos. As beiras

domingo, 22 de julho de 2007

Se a Europa não liderar na energia, ninguém o fará"



Apoio às PME, liderança na energia e defesa do ambiente para promover a competitividade
"Esta reunião informal sobre a competitividade da indústria europeia e das suas PME (Pequenas e Médias Empresas), foi muito importante e vários ministros exprimiram a vontade de que ela seja o motor para a continuação de um progresso económico sustentável,"concluiu Günter Verheugen, vice-presidente da Comissão Europeia, ao fim de três sessões de trabalho na sexta-feira e no sábado.

Para o comissário europeuconstituiu motivo de surpresa agradável verificar o grau e a intensidade do consenso à volta da mesa acerca da necessidade, por ele já avançada há anos, de melhorar tudo aquilo que regula e enquadra a vida das PME na Europa, como um melhor acesso ao crédito, a simplificação burocrática, a eficiência energética e a abertura aos mercados externos. Um segundo motivo de regozijo prende-se com a consciência generalizada de que é possível e necessário compatibilizar altos níveis de competitividade das empresas industriais europeias com respostas inovadoras para combater as mudanças climáticas e atingir uma relação saudável em termos energéticos e ambientais. Os ministros responsáveis pela competitividade nos 27 países, aos quais se juntaram os da Islândia e do Lichtenstein, concordaram que tem de ser a Europa a assumir a liderança mundial da transformação económica o que, num contexto de globalização, poderá conduzir a mais crescimento e a melhores empregos desde que se ponha em prática com maior empenho as medidas constantes na Agenda de Lisboa.

Ao jantar de ontem, os ministros discutiram o carácter cíclico ou estrutural da actual retoma europeia, que já estáa produzir taxas de crescimento superiores às dos EUA. A conclusão é de que este novo surto de prosperidade se deve, na maior parte, ao aumento da procura dos países emergentes e dos novos membros da UE do Leste europeu e, ainda, numa menos parte a mudanças estruturais: " Não há, pois, lugar para uma atitude de complacência. O momento é favorável para acelerar as transformações de fundo que permitam às empresas industriais da Europa lutar pela liderança mundial nos diversos sectores", acrescentou Verheugen.

A presidência portuguesa produziu dos documentos orientadores para a reunião sobre competitividade da política industrial e PME, que mereceram o acordo dos ministros dos 27, que elogiaram a oportunidade das discussões desta reunião informal. Quatro empresas nacionais, a Ba Vidro, o Grupo Simoldes, a Logoplaste e a Fundação de Serralves apresentaram a sua história empresarial, apontando os desafios e as expectativaspara o futuro imediato.

Na última sessão de trabalho, a McKinsey apresentou um estudo sobre as indústrias ligadas à floresta, no contexto da dependência energética e da luta contra as alterações climáticas. O ministro da Indústria e Inovação, Manuel Pinho, anfitrião do encontro, destacou a importância do sector para Portugal com as suas componentes de biomassa, pasta para papel, papel, cortiça e mobiliário: " A floresta é um exemplo dos desafios ao sector energético. Portugal está muito bem colocado para os discutir. O sector precisa de definir o acesso à importação de matéria-prima, a certificação do que é, e não é, biomassa, bem como da padronização de tarifas desta fonte de energia renovável para evitar distorções de mercado. Este é o bom momento para avançar com medidas, antes que os desafios de hoje se tornem problemas amanhã,"concluiu.DN

Se a Europa não liderar na energia, ninguém o fará"



ANTÓNIO PEREZ METELO


Novas energias em debate na UC

Novas energias em debate na UC


Estudantes de 17 países europeus vão analisar, na Universidade de Coimbra, a problemática das energias renováveis, no âmbito de um curso de Verão organizado pelo grupo Board of European Students of Technology (BEST). A partir de segunda-feira e até 3 de Agosto, 22 alunos de tecnologia vão estudar temas como a energia solar, biomassa, biogás, energia eólica, hidroelectricidade, hidrogénio ou as células de combustíveis.

Além dos 22 estudantes, oriundos de países como a Holanda, França, Grécia, Croácia, Roménia, Polónia, Eslovénia, Alemanha, Turquia, Espanha, Sérvia, Letónia, Noruega, Itália, Eslováquia, Hungria e Bulgária, vão também participar no curso 27 alunos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Além da parte teórica, o curso inclui ainda visitas de estudo à empresa Martifer, ao Laboratório de Aerodinâmica Industrial da Universidade de Coimbra, à Central de Biomassa de Mortágua e à Central Hidroeléctrica da Aguieira.

A sessão de abertura está marcada para segunda-feira, às 9.30 horas, no Salão da Reitoria da Universidade de Coimbra.

Presente em 28 países europeus e em 70 universidades, o grupo BEST tem como objectivo ajudar os estudantes europeus nas áreas das tecnologias a obter experiências internacionais e a perceber as diferentes culturas europeias. JN

União Europeia quer indústria competitiva e sustentável

União Europeia quer indústria competitiva e sustentável
21.07.2007 - 17h38 Lusa

Uma indústria europeia competitiva e sustentável a nível ambiental, o aumento do emprego e o apoio às pequenas e médias empresas foram objectivos definidos hoje, em Lisboa, pelos ministros da Economia da União Europeia (UE).

Os ministros da Economia e da Indústria dos 27 Estados-membros da UE e o comissário europeu do sector, Gunter Verheugen, estiveram reunidos ontem e hoje na sede da presidência europeia, no Pavilhão Atlântico, a debater soluções para o reforço da competitividade da Europa.

No final dos trabalhos, o comissário europeu salientou que a "reestruturação da base industrial", no sentido do reforço da sua competitividade e eficácia e também da sua sustentabilidade face ao ambiente, é um dos objectivos políticos "mais difíceis e mais importantes" para as gerações actuais, mas sobretudo para as futuras.

"Esqueçam a ideia antiquada de que há uma contradição entre o padrão ambiental e a competitividade porque pode alcançar-se a competitividade e simultaneamente criar mais empregos, aceitando as necessidades do futuro, que passam por dar resposta aos problemas das alterações climáticas, de uma economia com baixas emissões de CO2 e das questões energéticas", afirmou Verheugen.

O comissário europeu defendeu que esta realidade tem de ser encarada como "uma oportunidade e não como uma ameaça", até porque a "situação económica da União Europeia está em fase de recuperação", que qualificou de "tempo de 'vacas gordas'", não havendo por isso "lugar para desculpas".

"Temos de estar cientes de que esta reforma é em parte resultado das reformas da agenda económica europeia", disse o comissário, alertando no entanto para o facto de não se poder medir "qual é a parte cíclica e qual a parte estrutural" desta realidade.

Documento sobre futuro da indústria concluído até final do ano

O comissário e também vice-presidente da Comissão Europeia afirmou estar já a ser preparado um documento orientador sobre o futuro da indústria europeia e a política energética, que estará concluído antes do final do ano.

Por sua vez, o ministro português da Economia e Inovação, Manuel Pinho, que presidiu à reunião, reiterou que Portugal tem uma das metas mais ambiciosas em termos de energias renováveis, esperando que, em 2010, 45 por cento da produção de electricidade seja renovável.

"O sector da floresta, que inclui a biomassa, a pasta de papel, o papel aglomerado de madeira e a cortiça, tem um desafio específico", disse Pinho.

"Por um lado, pretende-se emitir menos CO2 nas fábricas, por outro, a matéria-prima que é a madeira tem uma grande concorrência por parte dos produtores de biomassa", afirmou também Manuel Pinho.

Motivos pelos quais defendeu "uma solução atempada", sob pena de a indústria perder competitividade em 2015/2020.

Por isso, acrescentou, já existem medidas concretas, como o aumento da área plantada, a definição de uma política comercial, a definição do que é a biomassa (certificação), entre outras. Publico